Livro: A Festa de Divórcio

Existem alguns livros na minha estante que eu simplesmente não faço ideia de como vieram parar aqui: se comprei durante minha última visita à livraria do shopping, ou se foram presentes de amigos e familiares (que em todas as datas comemorativas perguntam pela minha lista de “livros-desejo”…). Este é um desses exemplares que estavam encostados acumulando poeira sabe-se lá há quantos anos, já que a combinação da capa e do título não me animava muito. Semana passada finalmente resolvi dar uma chance para ele e descobri que era uma pequena jóia escondida. A festa de divórciode Laura Dave é uma dessas histórias tão inteligentes, delicadas e divertidas que não tem como não evitar pensar: quem dera eu ter escrito essa obra!

Se meus romances preferidos são aqueles contados em um curto espaço de tempo, esse é de bater recordes: tudo se desenvolve em apenas um dia. Ele é contado através das perspectivas das personagens Maggie e Gwyn, que se intercalam nos capítulos narrando a trama. Gwyn está se divorciando de seu marido, Thomas, e eles dois são os pais de Nate, o noivo de Maggie. De fora, tudo parece bem, mas essa família esconde muitos segredos, que estão prestes a vir à tona durante o jantar para a “comemoração” do divórcio do casal mais velho.

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O QUE ESPERAR, AMIGA?

Meu conselho para esse livro é: comece a leitura quando você tiver um tempinho livre, já que com certeza vai querer devorá-lo! Mais uma vez: a história é contada em apenas um dia, então flui de uma maneira muito natural, e o final de cada capítulo tem aquele “gancho” que torna impossível simplesmente fechá-lo para terminar outra hora.

E vá esperando uma história que vai te envolver sem que você perceba! As situações são muito reais, e ali, lendo, você esquece que está lendo ficção. O prólogo conta um pouquinho sobre a casa em que se desenvolve o enredo, e logo somos transportados para o casal jovem Maggie e Nate. Maggie nunca conheceu a família do noivo, e está um pouco apreensiva de visitar a cidade natal dele justamente para a festa de divórcio dos futuros sogros. Logo no caminho, dentro do ônibus, Maggie e Nate reencontram uma vizinha dele, e é naquela conversa que Maggie percebe há muitas coisas no passado de Nate que ele preferiu não compartilhar com ela.

Já Gwyn está ocupada com os preparativos para a festa. E, apesar dos milhares de sentimentos borbulhando dentro dela, ela prefere manter as aparências para todos de que não está triste pelo divórcio, inclusive para seus filhos, que sempre a viram como a mãe e esposa perfeita. E ela vai manter essa pose de mãe e esposa perfeita até o último segundo de seu casamento… Mas isso não significa ser completamente passiva a tudo o que Thomas a causou.

Então, leiam! Sei que vocês não vão se decepcionar…

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JÁ LEU? VAMOS COMENTAR? (cuidado, contém SPOILERS!)

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E aí? Também ficaram apaixonados por esse livro como eu fiquei? Olha, talvez eu me impressione fácil, mas cada virada que a história dava eu ficava com o coração na mão. O plot envolvendo a Gwyn me deixou louca, foi tão bem bolado, e a autora teve tanta delicadeza para falar de um tema como divórcio. Já falei por aqui várias vezes, mas eu mesma presenciei um divórcio nos últimos anos, e pude ver um pouquinho da dor que eu senti muito bem traduzida pela personagem. Só sobrou uma dúvida se ali naquele capítulo final a autora quis realmente contar o que aconteceu com Gwyn ou se deixou uma porta aberta para indicar que ela ainda tinha boas possibilidades em seu caminho.

Eu queria ter gostado mais do final do casal Maggie e Nate, e eu realmente acho que o perdão e segundas chances são importantes em um relacionamento, mas eu fosse a Maggie não sei se teria conseguido continuar com Nate, depois de tudo o que ele optou por não contar para ela. Acho que a autora levantou um debate legal sobre o quanto o fato de nós não querermos falar sobre um assunto pode influenciar na decisão de escondermos ele de quem nós amamos, mas ainda assim… Eu acredito que o Nate deveria ter mencionado o seu casamento e seu divórcio antes, e não colocado a Maggie em uma posição tão desconfortável.

Vocês também amaram a Georgia? Foi minha personagem preferida! Me conta o seu aí nos comentários.

A festa de divórcio

de Laura Dave

Editora Bertrand Brasil 

289 p

Livro: Uma Cama Para Três

Se eu gostar de um livro de certo autor, eu provavelmente vou querer ler tudo o que ele já escreveu na vida. Foi assim que fui parar nesse título… Alguns anos atrás tive a chance de conferir As jóias de Manhattan da autora Carmen Reid e, sinceramente, foi uma das melhores histórias que li nos últimos tempos. Assim, fui atrás de ler o primeiro romance que ela tinha lançado, Uma cama para três. Foi uma decepção tão, mas tão grande que vou manter a minha resenha curta. E deixo o recado: se você está em busca de um bom chick lit com uma história divertidíssima, dê uma chance para As jóias de Manhattan, e deixe esse aqui de lado. De qualquer maneira, aqui vão os meus pensamentos sobre o debut da Carmen Reid.

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O QUE ESPERAR, AMIGA? VALE A PENA?

A premissa desse livro é bem limitada. Bella é uma mulher viciada em trabalho, que se casou recentemente com um jornalista e agora está completamente obcecada pela ideia de ter um bebê. E é isso. O livro pinta um pouco o cenário sobre como Bella é dedicada e ama sua profissão no mercado financeiro, mas como também agora quer, mais do que qualquer outra coisa, ter um filho… Sem entregar muitos spoilers, em determinado ponto Bella fica grávida e a história narra esse período até o nascimento do bebê. Infelizmente, esse é todo o conteúdo das páginas. Não que não desse para fazer uma história incrível com isso; eu sou defensora da opinião de que é sim possível se fazer um livro bom com um enredo fraquíssimo, desde que o autor saiba desenvolver, ou tenha uma boa escrita, ou seja engraçado, etc. Mas esse não é um desses casos.

Principalmente por que a Bella é uma protagonista bem chatinha. Como eu já falei aqui outras vezes, eu quero torcer pela personagem principal. Eu quero gostar dela. Não quero que ela seja perfeita; isso já seria demais. Mas quero que ela tenha características que me deixem interessada. A Bella é irritante, pouco carismática e a maioria de suas decisões são tomadas sem o mínimo de justificativa.

Outro grande problema desse livro é que ele parece não saber o que é. Nos primeiros capítulos você sente que está lendo um romance erótico… Aí ele ganha um tom mais de chick lit com os trechos falando sobre o passado de Bella e  de sua amizade com Tania. E então, de repente, a história se torna uma descrição detalhada dos processos de gravidez e parto, como um “guia para a gestante”. Parece ser feito para vários tipos de público alvo, mas sem agradar  nenhum completamente.

Então eu recomendaria esse livro para pessoas que estão procurando uma história rápida, que estejam minimamente interessadas no tema gravidez e que não se importam tanto em ter uma ligação com os personagens da trama. É uma leitura direta com um final satisfatório. Para os que, como eu, preferem livros mais focados em protagonistas fortes e que contenham o mínimo de enredo “romântico”, digo que procurem outro.

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JÁ LEU? VAMOS COMENTAR? (CUIDADO, CONTÉM SPOILERS!)

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Já que estamos aqui, vamos! Não me lembrava da última vez em que fiquei com tanta raiva de uma protagonista. Bella parecia não saber o que queria da vida, além de ter um filho. Deveria trair o marido ou não? Deveria ficar com ele ou não? Queria uma maldita casa grande ou não? E por que tinha que ser tão máu caráter? Além de quase ter dormido com outro homem várias vezes (quando supostamente estava no relacionamento dos sonhos com Don), ela decide simplesmente não contar ao marido que queria ter um filho. Era impossível torcer para que qualquer coisa desse certo na vida dela.

Além disso, me incomodou profundamente a autora fazer tanta questão em frizar o quanto Bella gostava do trabalho mas não dar UM motivo sequer para Bella desejar tanto ter um filho. Se em algumas questões ela agia tão adulta, como Bella era tão ingênua ao ponto de achar que ficar grávida seria uma tarefa simples? Eu nunca tive um bebê, mas de ler em tantos sites, ouvir relatos de amigas, ver casos na televisão, sei que não é nada fácil. Engravidar é ótimo, mas também tem seus incômodos. Ainda assim, Bella achava que era como ir a uma loja comprar uma blusa. Ela não estava disposta a sacrificar nada, a fazer nenhuma mudança em seus hábitos por causa do bebê. Então por que insistir em assumir um compromisso como esse?

Por isso esse livro fez pouquíssimo sentido para mim. Serviu pelo menos para constatar que a Carmen Reid cresceu bastante como escritora. Vamos fingir que esse livro nunca existiu? 😉

E você, o que achou? Espero que eu não tenha sido a única que não gostou dele!

 

Uma cama para três

de Carmen Reid 

Editora Bertrand Brasil

361 p

Livro: Billy e Eu (Billy & Eu)

Giovanna Fletcher é uma escritora. Além disso, ela é mãe, apoiadora de grandes causas, youtuber nas horas vagas… Giovanna Fletcher, nascida Falcone, por acaso também é a mulher do vocalista da banda McFly (agora McBusted) Tom Fletcher, mas eu achei que seria injustiça começar o texto chamando-a de mulher-do-fulano, já que aqui vamos falar sobre o livro dela.

Não vou mentir: foi por causa do Tom que eu a conheci, em primeiro lugar, mas quem ganhou meu coração foi a Gi, dos vlogs, dos posts engraçados no Instagram e das entrevistas em que ela demonstra ser aquele tipo de pessoa que a gente adoraria ser amigo. A Giovanna é bem engraçada, humilde, tranquilona, amante de Nutella e café que nem a gente ❤ Para quem ainda não entendeu, eu adoro a Gi; mas não se preocupem, esta será uma resenha totalmente imparcial, e eu prometo dar as minhas opiniões sinceras sobre a estréia literária dela.

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A Editora Phorte foi quem teve a iniciativa de trazer Billy e Eu para o Brasil. (Eu gostaria de abrir um parêntesis aqui para dizer que fiquei decepcionada com alguns comentários que li criticando a edição brasileira. A Editora Phorte é, pelo pouco que vi, um selo novo comparado a outras Editoras que estão no mercado há mais tempo, e que tem um catálogo focado em gêneros literários diferentes do chick lit. O que eu percebo aqui é um esforço, uma tentativa de atingir um público diferente que deveria ser elogiada e incentivada. A edição brasileira não deixa nada a desejar. Tem uma capa bonita, grossa, fiel à original e eu não me lembro de notar nenhum erro de português que atrapalhasse minha leitura (o que as vezes encontro em publicações de Editoras muito mais tradicionais…)

(esse desabafo vai ficar parecendo puxação de saco mas não me importa, eu precisava falar. Claro que eles não me pagaram nada para falar isso, eu que desembolsei quase 50 dilmas para mandar buscar esse livro. Continuem lendo e vocês verão minhas impressões reais sobre ele.)

O QUE ESPERAR, AMIGA? VALE A PENA?

Billy e Eu gira em torno do cotidiano de Sophie May… E Sophie May tem a personalidade de 90% das mocinhas românticas: normal, sem auto-estima, perdida em uma cidade do interior, que passa despercebida por todo mundo. E o que acontece com essas pessoas que querem se isolar de todos? SIM, elas atraem as atenções dos homens-mais-incríveis-do-mundo, e é o que ocorre com Sophie May, em um de seus turnos no Tea-On-The-Hill (sim, ela também tem o emprego padrão das mocinhas comuns: garçonete). Ela conhece Billy Buskin, um galã de cinema perfeito, que percebe que Sophie May é o amor de sua vida e a convence a se mudar para Londres para que os dois possam ficar mais tempo juntos. Esse livro é sobre Sophie May e sua adaptação a vida como namorada de Billy. Ponto.

O que esperar? Hm, um livro bom. Ok. Exatamente na média. Deu para ver por toda a introdução que fiz falando da Giovanna que eu realmente esperava amar esse livro, mas não amei. É o primeiro livro da carreira dela como escritora, então precisamos levar isso em consideração também.

Essa história é tudo aquilo que você espera de um chick lit clichê, com um final previsível e meio morno. E não é frescura minha não, viu? Meus critérios nem são muito altos… Tenho que admitir que fiquei meio triste com essa decepção. O romance entre Sophie & Billy é apenas um pequeno pedacinho de uma história muito maior, então não vá na expectativa de encontrar uma história de amor de tirar o fôlego. Na verdade as páginas se focam muito mais no drama vivido por Sophie… A partir do momento em que ela vai morar com Billy, vários de seus fantasmas do passado voltam para assombrá-la, relacionados a um trauma que ela viveu quando era menor.

Para mim, esse foi justamente o pecado da Giovanna… Ela escolheu talvez ir pelo caminho mais fácil de capturar o leitor pelas lágrimas de tristeza, quando poderia ter optado em desenvolver melhor o relacionamento do casal principal ou poderia ter explorado de uma maneira mais positiva os problemas da Sophie.

Se vale a pena? Acredito que para maioria das pessoas, sim. Por algumas resenhas que li, esse livro agradou muita gente, então talvez seja uma questão de gosto pessoal… Sei que histórias que apelam para um lado mais melancólico do romance, como a desse livro, vendem muito bem. Acredito que as pessoas gostam de ver as outras superando dificuldades… Se esse for o seu caso, dê uma chance. É sempre bom ter um primeiro contato com autores novos e, a partir daí, decidir se a gente gosta ou não deles. Não dá para falar sem antes experimentar.

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JÁ LEU? VAMOS COMENTAR? (cuidado, pode conter SPOILERS!)

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Vamos! Acho que já ficou claro que eu coloquei esse livro em um pedestal e acabei quebrando a cara… Não vou mentir, achei a Sophie May muito chata e infantil, e a história do amor à primeira vista dela pelo Billy meio sem pé nem cabeça. Fiquei com a mesma sensação que tive ao assistir ao filme Pedido de Amizade, que comentei aqui algum tempo atrás… É um amor que aparece do nada, e que deixa a gente com a sensação de que não vai durar muito!

Meu problema não são com histórias comuns… Acho que se elas forem contadas direito, com detalhes e cores novas, conseguem ficar tão interessantes quanto uma história inédita. Cabe a cada escritor dar o seu toque, e o meu problema maior com Billy e Eu foi que não senti nenhum traço da Gi que ela demonstra ser na internet. Parecia um livro genérico, escrito por qualquer um. Para dizer que não senti nada, senti sim, um esforço desnecessário dela em dar uma “reviravolta emocionante” no enredo com a morte da personagem Molly. Ficou difícil de levar o livro muito a sério…

Mas pelo menos o casal teve um final feliz! Eba! Rsrsrs… Para compensar o sofrimento das páginas anteriores… E vocês, o que acharam? Vamos comentar juntos?

Apesar de tudo, acho que vou dar outra oportunidade para os novos livros da Giovanna. ENo Reino Unido ela já lançou outros dois, You’re The One That I Want e Dream A Little Dream… Pelas sinopses, provavelmente vou gostar mais deste ultimo. Espero que a Editore Phorte continue a publicá-la, gostaria de ver mais material da Gi por aqui!

Billy e Eu

De Giovanna Fletcher

Editora Phorte

365 p

Livro: Crimes Na Sociedade

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Não sei nem como começar esse post! Faz muito tempo que um livro não causa um impacto tão grande em mim como este provocou. Ainda estou tentando me recuperar, na verdade. É uma daquelas vezes em que lamento o fato da literatura ser uma forma de arte em que os artistas tem um contato pessoal tão distante com o público; se Jane Staton Hitchcock fosse uma cantora, eu estaria na primeira fila do show dela; se ela fosse atriz, ia madrugar na porta da emissora dela. Qualquer situação em que eu pudesse gritar: parabéns, o seu trabalho é incrível!!!!!

Foi em um fórum do extinto Orkut que encontrei uma pessoa indicando esse livro; acabei o adicionando por acaso no fim da minha lista, onde ele esperou por séculos, até eu finalmente comprá-lo mês passado. Ah, se arrependimento matasse. Que livro maravilhoso. Que história inacreditável. Que personagens marcantes. Vou fazer a resenha de Crimes Na Sociedade, mas poderia resumir tudo em: LEIAM. LEIAM. AGORA.

O QUE ESPERAR, AMIGA? VALE A PENA?

É assim: Jo Slater não lembra quase em nada a adolescente de origens simples que era 20 anos atrás. Hoje ela é uma mulher elegante, parte de um seleto mundo que ela nunca imaginou conhecer; todas as suas preocupações desapareceram quando ela se casou com Lucius, um homem com os amigos certos e o dinheiro suficiente para bancar tudo o que ela podia desejar. Em uma de suas festas de aniversário, Jo conhece uma mulher chamada Monique de Passy, que apresenta-se como uma “grande admiradora”. Por um certo tempo elas viram melhores amigas, inseparáveis, até que Lucius morre sob circunstâncias muito estranhas e ela então descobre que ele estava tendo um caso com Monique. Quando é o nome de Monique que aparece como herdeira no testamento do Sr. Slater, o mundo de Jo desaba e ela lenta e dolorosamente perde tudo o que tinha, despencando do topo de sua posição na sociedade exclusiva a qual pertencia. Sozinha, sem dinheiro e sentindo-se traída, se vingar de Monique se torna uma obsessão e o único objetivo da vida de Jo.

E ah, como vale a pena! Apesar do nome causar a impressão de que o livro é apenas voltado aos “crimes”, esse não deixa de ser um chick-lit, seguindo a história da protagonista, uma mulher forte que passa por (muitas) dificuldades. Não é bem um romance romântico na concepção que a maioria das pessoas têm… Eu diria que é mais sobre a queda financeira e pessoal de Jo e o sofrimento que ela guarda pela traição do marido. Com a exposição clara de personalidades marcantes, e uma narrativa desenvolvida com agilidade, mas atenção aos detalhes importantes. É difícil não se prender à trama viciante do enredo e o suspense, que não poderia faltar quando há um crime envolvido na situação. Crimes Na Sociedade é uma história como poucas, daquelas que a gente põe de lado tudo o que acredita para passar a entender melhor as coisas se colocando na pele dos diferentes personagens, em momentos que abrimos o pensamento para possibilidades que não havíamos imaginado.

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JÁ LEU? VAMOS COMENTAR? (cuidado, pode conter SPOILERS!)

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Vamos comentar sim! Já superou o furacão que esse livro (provavelmente) causou em você? Foram tantas páginas de sofrimento, de ódio… Eu realmente não saberia o que fazer se estivesse no lugar da Jo. É estranho a gente querer ponderar as atitudes dela, se foi certo, se foi errado, ou até que ponto uma vingança é merecida ou não. Mas que esse crime foi absolutamente brilhante, foi. Palmas novamente para a autora por se elaborar uma trama tão redonda, tão completa.

Para mim, ficou faltando apenas uma explicação melhor para o que aconteceu de verdade entre Monique e Lucius. Não sei se pela rapidez dos acontecimentos (e minha pressa em terminar o livro), mas não senti que foi esclarecido se ele realmente gostava dela ou se tinha sido apenas enganado por ela e o advogado. Talvez a autora sentisse que não seria muito da personalidade de Monique revelar totalmente os fatos, mas senti falta de uma cena que deixasse tudo às claras. Ainda é difícil acreditar que ele fosse capaz de tal traição e que tivesse a real intenção de deixar tudo para a amante e nada para Jo, mesmo que acreditasse que Monique estava esperando um filho dele. A sensação que ficou é que havia algo de muito errado com o testamento, mesmo que não se saiba o quê. As fofocas e especulações são tão misturadas à realidade nesse livro que a gente acaba sem saber o que aconteceu de verdade.

Ainda sim eu admiro a força que Jo demonstrou para lidar com as coisas e a coragem que ela teve para fazer o que ela achava que era o certo naquela hora. Mesmo parecendo uma pessoa meio fútil com uma obsessão doentia com a Maria Antonieta e tudo daquela época (que eu já não suportava mais!), Jo talvez fosse a personalidade mais autêntica do seu círculo de amizades e com certeza não merecia o que recebeu. Sua paranoia com Monique era totalmente justificável e eu confesso que meio que estava torcendo por esse final. Jo não era a protagonista comum, perfeita e boazinha, mas alguém em que facilmente identificaríamos qualidades e defeitos, e se tornou a assassina pela qual torcíamos. E ainda espero que Oliva não tenha feito nada para prejudicá-la depois.

Esse é um chick lit para ficar marcado na memória! E vocês, o que acharam dele?

Crimes Na Sociedade

De Jane Staton Hitchcock

Editora Record

400 p 

Livro: A modelo do ano

Será que existe uma “idade avançada demais” para ser flagrada fuxicando as prateleiras da seção “Literatura Infatojuvenil” na livraria? Hehe! É difícil desapegar dessas estantes, e no fundo eu ainda sou aquela criança que fica facilmente deslumbrada pelas fotos coloridas. Na minha última visita a uma amiga em Manaus, nos perdemos durante algumas horinhas na Saraiva e saí de lá com vários livros novos, inclusive esse A modelo do ano, que eu imaginava ser mais uma leiturinha adolescente leve. O pessoal da Galera Record realmente me enganou com essa capa com o que parece ser uma garotinha posando para fotos com um fundo rosa bebê (bem semelhante à mocinha da capa da série Allie Frankie, da Meg Cabot)… Na verdade, essa história tem muito mais um quê de Gossip Girl, como vocês podem ver pela capa americana (disponível no final do post!). No fim das contas, Carol Alt escreveu mesmo um chick lit clássico, com fofocas, intrigas, romance e assuntos não tão infantis. E, claro, uma mocinha “inocente”, que provavelmente narra as memórias dos tempos em que a autora era uma modelo badalada. Se interessou? Quer saber mais?

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O QUE ESPERAR, AMIGA? VALE A PENA?

Começa assim: Melody Ann Croft (de iniciais Mac Croft) é uma menina comum, de uma cidade comum, querendo viver uma vida comum, enquanto junta dinheiro para entrar para a faculdade de medicina. Em um dos restaurantes em que atende como garçonete ela conhece um fotógrafo que a indica para uma famosa agência de modelos, com sede em Nova Iorque. Mac, no início, só se interessa em fazer alguns trabalhos para conseguir o dinheiro que precisa para os estudos, mas aos poucos vai pegando o gosto pela coisa até ser totalmente engolida por esse mundo de glamour, que a faz se deparar com momentos que põem em jogo a sua índole de “menina boa”.

Esse, em especial, me lembrou de uns chick lits que eu lia quando era mais nova, como a série A Lista Vip; um mais antigo chamado Holofote; mais recentemente as séries escritas pela Lauren Conrad… Enfim, são todos livros que giram em torno de protagonistas naquela fase adolescente/quase adulta descobrindo o mundo da cidade grande, fazendo amigos e inimigos, subindo e caindo na sociedade. A história é resumidamente esta mesmo: Melody é uma garota humilde que vai para NY tentar ganhar a vida como modelo, tendo que se adaptar às situações boas e ruins que essa mudança traz. Tem todas as ciladas, festas, risadas, amigos verdadeiros e falsos que ela faz pelo caminho. Se esse enredo te agrada, vai fundo.

É um livro que eu indicaria para quem busca uma leitura fácil para relaxar a mente, para quem curte esse tipo de narrativa despretensiosa (nem eu aguento mais usar esta expressão nesse blog!), e para garotas que gostam desse tema “mundo de fofoca” e que gostariam de saber mais sobre os altos e baixos da carreira de uma modelo iniciante, pelos olhos de quem passou pela experiência. Em outras palavras, é que nem aquele chocolate que você come com culpa, mas que melhora seu humor num dia ruim.

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Vamos!!! Como eu disse antes, os livros da Lauren Conrad e afins já tinham me preparado para esse final explosivo-tudo-acontece-e-se-resolve-nos-últimos-segundos! As páginas finais foram rápidas, e meio que… Aceitavéis. Não é a minha forma favorita de finalizar uma história, mas que provavelmente vende bem pelo suspense e que deixa um gancho bom para uma sequência (que realmente existe!). Era de se prever uma reviravolta na amizade Mac/Jade desde o início, e o motivo da briga não deixou de ser um pouco besta pra mim… Mas, apesar de tudo, gostei bastante do livro. Tinha a quantidade certa de ficção pra prender a gente no desenvolvimento e de realidade o suficiente para envolver o leitor. Talvez a parte romântica pudesse ter sido explorada de um jeito mais inteligente, já que o pseudo-mocinho não me convenceu muito (eu nem lembro o nome dele!). Eu provavelmente leria a continuação se fosse lançada em português, mas também não tenho tanta pressa assim. Quem sabe não inclua a versão em inglês mesmo durante minha próxima compra online.

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A Modelo Do Ano

de Carol Alt

Galera Record

303 p

Livro: Louca Para Casar

Falar em Sophie Kinsella é falar de personagens famosos como Becky Bloom, Emma Corrigan, Poppy Wyatt… Mas, e falar de Madeleine Wickham, o nome por trás do pseudônimo, e que assinou os primeiros romances de quando a escritora ainda não era tão conhecida? Bem, depois que li Quem Vai Dormir Com Quem?, Madeleine Wickham se tornou, para mim, sinônimo de personagens desinteressantes, e de uma narrativa monótona e fraca, razão que me levou a evitar qualquer coisa que tivesse a ver com esta autora durante quase dois anos. Mas esses dias esbarrei com Louca Para Casar em uma livraria e acabei resolvendo dar uma segunda chance. Resultado? Madeleine e eu nos conhecemos melhor, e hoje posso dizer que é amor verdadeiro, amor eterno.

Apesar deste título fraquíssimo (não apenas em português, também detesto o original, The Wedding Girl), este livro reserva uma surpresa em cada capítulo, um desenvolvimento com histórias cativantes e, pasmem, uma abordagem bem estruturada em um tema que é geralmente evitado em outros do gênero chick-lit: religião. Ela ainda fala de relações familiriares e homossexualidade, sem tropeçar em clichês e sem apelar.

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O QUE ESPERAR, AMIGA? VALE A PENA?

Milly está noiva de um cara chamado Simon, de quem esconde alguns segredinhos… Incluindo o fato de que dez anos atrás se casou com Allan, um professor americano, para que ele pudesse ficar na Inglaterra com seu namorado Rupert. Allan e Milly nunca se divorciaram, e por coincidência, o fotógrafo chamado para o casamento atual é o mesmo cara que estava no cartório quando Milly se casou pela primeira vez. A noiva fica paranóica com a possibilidade de todos descobrirem o que aconteceu e assim começa a caçada para achar Allan, enquanto Milly decide se vai ou não contar a Simon seu segredo. Em pararelo, outras histórias com os familiares de Milly e com Rupert se desenrolam, todo mundo com um problema para resolver. O enredo todo se passa em pouco tempo, três ou quatro dias, o que deixa a gente mais íntimo com cada personagem, e vendo as situações através dos olhos de cada um abre uma oportunidade melhor para a gente refletir, principalmente nas cenas em que nos identificamos com um ou com outro.

Espere uma leitura rápida, leve, mas que vai te deixar satisfeita. Sabe quando não sobra dúvida nenhuma sobre o que autora se propôs a falar? É um livro redondo, completo. Além de tudo, tem aquela qualidade que eu sempre comento aqui: personagens reais, com qualidades e defeitos. Não tem nada sem sentido, tudo o que acontece é justificado, mesmo que depois de muito tempo. Isso que me fascina sobre a escrita gente, tem gente que nasce com o dom né?

Para quem não leu nada da Madeleine ainda, vale o aviso: a linguagem é bem diferente do que ela usa quando escreve como Sophie Kinsella. Além de não ser narrado na primeira pessoa, o tom utilizado aqui também é um pouco mais “formal”, e o humor bem mais sutil.

É um romance maravilhoso, para qualquer hora, para todas as idades. Chick lit clássico, para ninguém botar defeito!

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JÁ LEU? VAMOS COMENTAR? (cuidado, pode conter SPOILERS!)

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Vamos sim, com o maior prazer! Ficaram com o coração na mão com o final do Rupert? Lá pela metade do livro minha intuição já dizia que o Allan tinha morrido, mas quando vi que era verdade, bateu aquela tristeza! Uma pena tudo o que aconteceu, quando é tarde demais para a gente consertar as coisas. Acho que valeu pelo menos como uma grande lição para ele, e como uma nova chance para começar do zero dali pra frente. Fiquei impressionada como a autora conseguiu falar sobre o conflito homossexualidade/religião com tanta delicadeza, mas também direta ao ponto.

Quanto à Milly, que relacionamento enrolado esse dela com o Simon, não? Ainda bem que se resolveram no final, mesmo com as personalidades difíceis dos dois. E a tal madrinha Esme, que quase que me deixa sem unhas, de tanto nervosismo?

Posso confessar? Meu casal preferido mesmo foi Isobel e Harry. Desde a primeira aparição da Isobel, sabia que ela estava grávida do Harry! Achei os dois fofos em todas as cenas em que eles interagem, e, pra ser sincera, sempre gostos dos casais mais inesperados mesmo.

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Louca Para Casar

De Madeleine Wickham 

Editora Record

348 p

Livro: A Garota Que Perseguiu A Lua

imagemVamos ser honestos: de uns tempos pra cá se tornou praticamente impossível fugir das histórias de fantasia nas livrarias da vida. Eu nunca fui muito fã deste gênero e desde o último boom de vampiros, fadas e afins parece que todo mundo só quer escrever sobre isso! Sempre gasto horas nas estantes de literatura estrangeira procurando algo que aborde temas mais “normais”, mas as vezes não tem como evitar. Comprei este livro totalmente encantada pela capa e convencida um pouquinho pela sinopse, torcendo para que o tal mistério do enredo não envolvesse nada muito sobrenatural. Resultado: vamos dizer que este é um romance meio-realista meio-fantasioso, com pontos altos e baixos.

Digo altos e baixos por que A Garota Que Perseguiu A Lua segue duas narrativas diferentes, mas conectadas: a história de Emily, uma adolescente que chega à cidade de Mullaby após a morte da mãe para morar com seu único parente ainda vivo, o avô Vance (para mim, o ponto baixo); e a história de Julia, uma mulher que está temporariamente em Mullaby para administrar o restaurante do pai antes de vendê-lo para voltar ao lugar onde morava (para mim, o ponto alto). O foco é não só nas duas, mas nas relações amorosas delas, Emily atraída por um garoto chamado Win (e pelo segredo que ele carrega), e Julia ainda envolvida com Sawyer, um cara com quem teve um rápido caso no passado.

Julia e Emily são vizinhas em Mullaby, a cidade estranha onde luzes misteriosas aparecem a noite e onde todo mundo odeia Dulcie, a mãe de Emily, por algo que ela fez quando era adolescente. Resumindo: o livro INTEIRO é uma incógnita, por isso até fica difícil explicar sem entregar nenhum spoiler. É ler pra entender.

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Um livro bom para passar o tempo, com uma história que vai te chamar a atenção e outra que vai te entediar. Acredito que a autora quis agradar dois públicos diferentes: um mais jovem e outro mais adulto, e acabou ficando no meio do caminho. Talvez os mais jovens aproveitem todas as páginas, mas para os que, como eu, já não se convencem com tema paixão adolescente que surge do nada, seja difícil enfrentar o romance de Emily e Win. Na verdade nenhuma das situações expostas no livro é muito original, mas Sarah Addison Allen consegue desenvolver a parte que envolve a personagem Julia de maneira interessante, mantendo um ritmo bom, deixando sempre o melhor para o final.

Além disso, não se confie no suspense reservado à família Coffey e às luzes de Mullaby: o segredo foi provavelmente o que mais me frustou. Muito drama para pouca realidade. Se concentre em algumas figuras como Stella, Sawyer e o vovô Vance. E o churrasco da Carolina do Norte. Muito churrasco.

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Ele BRILHA? SÉRIO? Não acredito que aguentei toda aquela enrolação para descobrir que ele BRILHA!!!!!!!!! Aqui entre nós, até se ele tivesse se revelado um vampiro, um lobisomem, ou um pokemon eu teria me decepcionado menos. E quem não adivinhou na primeira página que Win e Emily ficariam juntos no fim?

Deixando de lado a revolta pelo mito dos Coffey, eu adorei o final de Julia e Sawyer, e pela filha deles querer encontrá-los. Ficou uma ótima deixa ali para uma continuação, não? Novamente, meus aplausos pelo desenvolvimento dos problemas de Julia, sua luta para superar a rejeição e sua volta por cima.

Essa autora me deixou bem confusa sobre comprar ou não os outros livros dela. Como disse antes, essa confusão que ela faz com os públicos e o tipo de escrita para cada um deles me desanimou para ler “O Pessegueiro”, outro que me atraiu pela belíssima capa. Será que neste ela elaborou uma história mais interessante para o lado teen da história? Tem que ser mais consistente no enredo, não é, Dona Sarah?

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 A Garota Que Perseguiu A Lua

Sarah Addison Allen

Editora Planeta

256 p