Livro: Uma Cama Para Três

Se eu gostar de um livro de certo autor, eu provavelmente vou querer ler tudo o que ele já escreveu na vida. Foi assim que fui parar nesse título… Alguns anos atrás tive a chance de conferir As jóias de Manhattan da autora Carmen Reid e, sinceramente, foi uma das melhores histórias que li nos últimos tempos. Assim, fui atrás de ler o primeiro romance que ela tinha lançado, Uma cama para três. Foi uma decepção tão, mas tão grande que vou manter a minha resenha curta. E deixo o recado: se você está em busca de um bom chick lit com uma história divertidíssima, dê uma chance para As jóias de Manhattan, e deixe esse aqui de lado. De qualquer maneira, aqui vão os meus pensamentos sobre o debut da Carmen Reid.

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O QUE ESPERAR, AMIGA? VALE A PENA?

A premissa desse livro é bem limitada. Bella é uma mulher viciada em trabalho, que se casou recentemente com um jornalista e agora está completamente obcecada pela ideia de ter um bebê. E é isso. O livro pinta um pouco o cenário sobre como Bella é dedicada e ama sua profissão no mercado financeiro, mas como também agora quer, mais do que qualquer outra coisa, ter um filho… Sem entregar muitos spoilers, em determinado ponto Bella fica grávida e a história narra esse período até o nascimento do bebê. Infelizmente, esse é todo o conteúdo das páginas. Não que não desse para fazer uma história incrível com isso; eu sou defensora da opinião de que é sim possível se fazer um livro bom com um enredo fraquíssimo, desde que o autor saiba desenvolver, ou tenha uma boa escrita, ou seja engraçado, etc. Mas esse não é um desses casos.

Principalmente por que a Bella é uma protagonista bem chatinha. Como eu já falei aqui outras vezes, eu quero torcer pela personagem principal. Eu quero gostar dela. Não quero que ela seja perfeita; isso já seria demais. Mas quero que ela tenha características que me deixem interessada. A Bella é irritante, pouco carismática e a maioria de suas decisões são tomadas sem o mínimo de justificativa.

Outro grande problema desse livro é que ele parece não saber o que é. Nos primeiros capítulos você sente que está lendo um romance erótico… Aí ele ganha um tom mais de chick lit com os trechos falando sobre o passado de Bella e  de sua amizade com Tania. E então, de repente, a história se torna uma descrição detalhada dos processos de gravidez e parto, como um “guia para a gestante”. Parece ser feito para vários tipos de público alvo, mas sem agradar  nenhum completamente.

Então eu recomendaria esse livro para pessoas que estão procurando uma história rápida, que estejam minimamente interessadas no tema gravidez e que não se importam tanto em ter uma ligação com os personagens da trama. É uma leitura direta com um final satisfatório. Para os que, como eu, preferem livros mais focados em protagonistas fortes e que contenham o mínimo de enredo “romântico”, digo que procurem outro.

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JÁ LEU? VAMOS COMENTAR? (CUIDADO, CONTÉM SPOILERS!)

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Já que estamos aqui, vamos! Não me lembrava da última vez em que fiquei com tanta raiva de uma protagonista. Bella parecia não saber o que queria da vida, além de ter um filho. Deveria trair o marido ou não? Deveria ficar com ele ou não? Queria uma maldita casa grande ou não? E por que tinha que ser tão máu caráter? Além de quase ter dormido com outro homem várias vezes (quando supostamente estava no relacionamento dos sonhos com Don), ela decide simplesmente não contar ao marido que queria ter um filho. Era impossível torcer para que qualquer coisa desse certo na vida dela.

Além disso, me incomodou profundamente a autora fazer tanta questão em frizar o quanto Bella gostava do trabalho mas não dar UM motivo sequer para Bella desejar tanto ter um filho. Se em algumas questões ela agia tão adulta, como Bella era tão ingênua ao ponto de achar que ficar grávida seria uma tarefa simples? Eu nunca tive um bebê, mas de ler em tantos sites, ouvir relatos de amigas, ver casos na televisão, sei que não é nada fácil. Engravidar é ótimo, mas também tem seus incômodos. Ainda assim, Bella achava que era como ir a uma loja comprar uma blusa. Ela não estava disposta a sacrificar nada, a fazer nenhuma mudança em seus hábitos por causa do bebê. Então por que insistir em assumir um compromisso como esse?

Por isso esse livro fez pouquíssimo sentido para mim. Serviu pelo menos para constatar que a Carmen Reid cresceu bastante como escritora. Vamos fingir que esse livro nunca existiu? 😉

E você, o que achou? Espero que eu não tenha sido a única que não gostou dele!

 

Uma cama para três

de Carmen Reid 

Editora Bertrand Brasil

361 p